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"A informação existe para todos a um clique de distância", afirma o professor de criatividade Felipe Zamana


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Felipe Zamana é professor de Criatividade e Palestrante. Ele conheceu o Dia Mundial da Criatividade através do próprio Lucas Foster, Líder Global e Idealizador do evento.  Em uma visita ao Brasil, em 2018, Zamana recebeu o convite para assumir a liderança do DMC em Porto, Portugal, país que assumiu como residência.

A história de Zamana com a Pedagogia é de longa data. Praticamente todos os membros da família são ou foram professores, então cresceu envolto na profissão. Na época da escola, incomodava-se muito o formato da escola tradicional, e nada daquilo fazia sentido para quem era e como aprendia. Terminar o colégio foi uma luta, mas como sempre teve uma postura de encontrar soluções, sentiu que se tornar professor era a melhor maneira para poder mudar aquilo com o que não concordava.

Graduou-se em Design Gráfico em São Paulo, e depois de alguns anos estudando por conta própria descobriu a grande paixão: a Criatividade. Apaixonado por Criatividade e lecionar, veio para Portugal fazer o Mestrado em Criatividade e Inovação, que concluiu em 2018. Atualmente, dedica-se a explorar a Criatividade aplicada à Educação e ao Crescimento e Desenvolvimento Pessoal, ensinando as pessoas a desenvolverem sua Criatividade e Processos Criativo.

Além de líder, Zamana também é o coordenador pedagógico do DMC e relatou como se foi o processo para inserir conteúdo online em tempos de pandemia, as mudanças no método de ensino dos tempos atuais e o impacto tecnológico no ensino do futuro.

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Você agora é coordenador pedagógico da iniciativa, certo? Que tipo de pedagogia está envolvida no processo do DMC?

Os conteúdos, aulas e cursos que desenvolvemos têm sempre o foco numa aprendizagem ativa. Temos como objetivo incentivar os líderes, voluntários, inspiradores e toda a comunidade a experimentar e aprender através da prática, do diálogo aberto e da partilha. Foi graças a essa comunidade que muitos conteúdos surgiram, fruto da observação e identificação por parte dos Líderes como uma necessidade ou desafio a ser respondido. O aprendizado aqui é uma troca, onde todos aprendem com todos.

Antes já havia uma metodologia pensada por vocês para o evento em si, mas COVID-19 mudou tudo. Como, de forma concreta, se deu essa mudança de abordagem pedagógica na quinta edição do evento? Isso deve impactar a próxima edição?

A mudança pedagógica já estava a acontecer antes mesmo do surto do COVID-19, e foram implementadas, como as plataformas do WCD Booking, WCD Chat e WCD School. Após o surto e com o isolamento proporcionado pela quarentena, essas tecnologias mostraram-se ferramentas importantes para a gestão educacional da comunidade e acesso ao conteúdo pedagógico. Isso fica evidente quando muitos eventos de Criatividade, Tecnologia e Inovação fecharam as portas frente ao vírus, e o WCD foi um dos poucos que soube se reinventar e se adaptar à essa nova realidade. Entretanto, tanto as tecnologias quanto as metodologias pensadas por nós foram postas à prova, o que representou uma excelente oportunidade de identificarmos onde e como melhorá-las para a próxima edição.

Os avanços tecnológicos proporcionados por redes sociais, apps e a internet como um todo também impactam na educação. Como você enxerga que esses adventos alterarão a pedagogia de agora em diante?

Está cada vez mais claro a importância da Educação daqui para frente. A informação existe para todos a um clique de distância. Porém, o professor tem dois cenários possíveis e papéis prodominantes em cada um deles. No primeiro cenário, no caso de uma educação personalizada, pessoal e acolhedora, o papel fundamental é orientar. É como um pai ou mãe que ensina o filho a andar de bicicleta pela primeira vez, deve ajudá-lo a manter-se em pé e não se desviar muito do caminho, mas sem condicionar o trajeto (e possíveis quedas necessárias para o aprendizado). No segundo cenário, no caso de uma educação de "massa" e padronizada, como por exemplo em cursos online e redes sociais, o papel fundamental é servir como curador. Essa curadoria é o filtro pelo qual a informação passa, a fim de garantir que apenas conteúdos de qualidade cheguem até os alunos.

Você acredita que a pandemia atual servirá de base para uma quebra de paradigma no modo como conteúdo educativo é aplicado?

A pandemia foi um grande "eu estava falando e vocês não estavam ouvindo". Os holofotes se voltaram para diferentes áreas que vinham crescendo, sendo um dos maiores destaques a própria Criatividade. É uma das competências mais importantes para o futuro, mas escalava com muito sufoco até as primeiras posições na lista de prioridade das pessoas. Por exemplo, muitos profissionais precisaram se reinventar e se adaptar a uma nova realidade, desde o ambiente de trabalho, ferramentas e plataformas, até mesmo a criação de um novo trabalho devido ao desemprego. Por outro lado, a pandemia serviu para consolidar algumas plataformas e tecnologias que já estavam disponíveis há anos, mas só agora que fomos obrigados a utilizá-las que identificamos o seu potencial e alcance. Assim, à medida que a demanda por conhecimento aumenta, é natural que a forma com que o conteúdo educativo é aplicado sofrerá alterações. Acredito que a maior alteração será no tamanho dos conteúdos, que será fragmentado em diversos módulos com poucos minutos de duração (leitura ou vídeo). A objetividade é outro elemento presente na educação do futuro, principalmente em conteúdos introdutórios ou para iniciantes, o que fará do autodidatismo um diferencial indispensável para quem buscar a especialização.

Qual a maior lição que a 5ª edição do DMC tem a oferecer?

Resiliência. Quando temos claro a nossa missão, nem uma pandemia pode nos impedir de concretizarmos os nossos objetivos. Apesar das dificuldades, o WCD mostrou que Criatividade é o seu nome do meio, e soube utilizá-la para manter a chama acesa. A união e colaboração de toda a comunidade de Líderes, Voluntários e Inspiradores do WCD foi o elemento chave para não só responder ao chamado da Resolução 71/284 da ONU, mas também proporcionar para crianças, idosos e adultos momentos de alegria e esperança durante o isolamento social provocado pelo vírus. Acredito que seja justo e merecido parabenizar toda a equipe de Líderes e Voluntários do WCD que se ofereceram neste momento de dificuldade, que escolheram agir ao invés de reagir, que colocaram os outros acima de si e doaram seu tempo e conhecimento em prol da causa criativista. Assim, o lema do WCD nunca fez tanto sentido como neste momento: Juntos pelo direito de se (re)criar.