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“Sou uma pragmática lúdica”


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conheça a trajetória de Carolina Herszenhut, inspiradora confirmada no Festival Mundial de Criatividade.

 

Carolina Herszenhut é agente e ativista cultural, especializada na identificação de novas cenas e artistas, criando uma carreira sustentável para eles. É idealizadora da Aborda, uma plataforma de experiências que conecta marcas e pessoas através da arte, cultura e causas. 

 

Há 10 anos a Aborda desenvolve, idealiza e faz a curadoria de projetos culturais em todo país com marcas e instituições. Dentre outros projetos executados, está O Cluster, primeira e maior plataforma de economia criativa do Rio de Janeiro criada em 2012. Realizou mais de 25 eventos com mais de 100.000 pessoas nas cidades do Rio, Belo Horizonte e Recife.

 

Um dos principais nomes da cena de arte pública no Brasil, Carolina é Diretora Comercial do CURA, um dos maiores festivais de arte pública em Belo Horizonte e também do Inarte, uma residência artística no Rio Grande do Norte onde fazemos um mapeamento sensível através da arte e educação patrimonial.

 

Lançou em 2016 o livro: “Guia O Cluster Cem Criativos Cariocas”, um título inédito, por se tratar do único guia da cidade do Rio de Janeiro que revela novos nomes da economia criativa.

 

Em 2017 foi selecionada entre mais de 400 mulheres no Brasil todo para ser uma das 30 mulheres do prêmio Itaú Mulher Empreendedora em parceria com a FGV/SP, em 2019 participou do programa She 2B do Weconnect com a Proctor & Gamble que visa ampliar o número de empresas lideradas por mulheres a trabalharem junto a Multinacionais.

 

Como começou a sua relação com a criatividade?

 

Fui fazer análise com 8 anos, por conta da separação dos meus pais, e eu desenhava ali nas sessões. Minha mãe guarda o primeiro quadro que fiz, com 8 anos. Minha mãe é muito habilidosa, faz tudo. Eu me formei em moda, então foram muitos momentos onde a criatividade atravessou a minha vida, sempre esteve lá de um jeito bem pragmático, mas acho que eu sou uma pragmática lúdica. 

 

E como você chegou à Aborda?

 

Eu venho da moda. Trabalhei exclusivamente com moda de 1998 até 2011, fazendo roupa, como estilista, coordenadora de marca. No final de 2011 eu criei o Cluster - uma plataforma de economia criativa, no Rio. Era o momento áureo da economia criativa. A gente começou a mapear a cena criativa das cidades e desenvolver projetos. Como isso estourou, a gente começou ter outras demandas de trabalho. Mas a gente não queria perder o controle dos processos. Então eu expandi o que fazia na moda pra outras cenas da criatividade. 

 

A Aborda surge como um atravessamento, por volta de 2014, pra resolver um problema que a gente tinha com a Cluster e precisava de outro nome pra resolver. De 2016 até final de 2018 a gente seguiu com vários outros projetos: feiras, exposições. 

 

Em 2019, eu resolvi fazer uma nova especialização na Casa Encendida, na Espanha, pra conhecer a roda da gestão cultural. Eu me sentia esgotada e queria sair do lugar operacional, queria empregar meu conhecimento intelectual. Não queria mais falar em questões técnicas. Na especialização me vira uma chave: no Brasil a gente precisa produzir pra muita gente, é um valor muito mais quantitativo do que qualitativo. Essa é uma questão no entretenimento brasileiro e isso distorce qualitativamente o que você produz. Eu conhecia as pessoas e as marcas, e uma artista urbana perguntou se eu queria cuidar da carreira dela. Então eu poderia pensar de uma outra forma. Existe uma demanda enorme do mercado que é justamente a gestão da carreira artística. 

 

Na prática, qual a missão da Aborda?

 

Hoje o que a gente faz é a gestão de carreiras de artistas visuais, estabelece melhores relações com instituições e marcas, museus, galerias. O artista preserva a sua integridade, a sua poética e a gente faz esse braço da gestão. Nosso trabalho resolve ambas as pontas: a do artista e de quem contrata, os dois lados da cadeia. 

 

Do que um artista precisa para criar?

 

O que a gente faz é que o artista possa delegar 100% do que pode ser delegado, para ele se concentrar totalmente na entrega artística. Programar carreira a médio e longo prazo, identificar as oportunidades. O artista, no mundo ideal, deve se concentrar naquilo que só ele pode fazer. O ideal é que o artista possa ter esse espaço de reflexão e de escuta dele mesmo.